28 Abril 2008
caros curiosos
louváveis linchadores
respeitáveis repórteres
no centro do picadeiro
a menina morta
gozo na redação
a massa convulsiva esporra
no meio das coxas
da televisão
é sangue mesmo
não é merthiolate
tão emocionante
um assassinato de verdade
e agora eu já vou indo
senão perco a novela
no próximo capítulo
quem matou isabella
A poesia nunca foi uma potência.
Hoje, menos ainda.
O poema pode muito pouco
nestes tempos pop,
mas pode ao menos rosnar.
Ele deve rosnar
sob as engrenagens
que o silenciam.
letra incidental:
metrópole (r. russo)
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Escrito por Wilton Cardoso
23 Abril 2008

Cique aqui para baixar.
Obs.: Para uma melhor visualização dos slides (em tela cheia), baixe o arquivo em seu computador e abra-o.
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Escrito por Wilton Cardoso
14 Abril 2008

di(per)versões eletrônicas é uma série de poemas eletrônicos. Foram compostos por Frederico Assunção, Patrícia Martins e Wilton Cardoso. Os poemas são uma colagem digital de textos e imagens escaneadas, trabalhadas no Photoshop. São para ler/ver em tela cheia do computador.
Como o título insinua (diversões, perversões, versões) os poemas são marcados pela impureza. São eletrônicos, mas a partir de textos e imagens do papel. São um choque entre coisas visuais e verbais. Mas também foram concebidos para um choque entre olho e ouvido. Para serem lidos/vistos com trilha sonora.
Então, para uma experiência total de recepção, sugiro que ouçam canções (as que vocês gostarem) durante a navegação.
Divirtam-se. Pervertam-se. Vertam-se
Para baixar:
di(per)versões – alta qualidade de imagem (26,8 MB)
di(per)versões – versão compacta (8,5 MB)
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Escrito por Wilton Cardoso
5 Abril 2008
Publicada na revista Palávoraz n. 2
Como você vê a literatura contemporânea do Brasil?
Mas que pergunta mais fuleira. Você até parece um desses jornalistas de revista literária. É o tipo de pergunta que espera que o entrevistado dê uma de sacerdote, em defesa da santa igreja literária.
Que seja, mas você não respondeu a pergunta…
Eu amo uma certa literatura, alguma coisa de hoje, alguma de ontem, mas a verdade é também estou cansado da literatura, nem um pouco a fim de fazer uma defesa sacerdotal ou cidadã das virtudes da boa literatura, do bom poeta e do bom leitor, da importância de se ler, de lamentar a apatia dos jovens etc etc. Ando ouvindo muita canção ultimamente.
Que tipo de canção?
De tudo, tudo que toca no rádio e na TV eu paro pra ver, mas especialmente o que chamam de MPB e Rock Brasil.
Mas isto é uma revista literária, e considerar a canção como literatura é, no mínimo controverso. Mesmo em se tratando de bons letritas, como Caetano Veloso e Chico Buarque, há pessoas que têm sérias restrições em ler suas letras como poemas.
Suas letras são, de fato, péssimos poemas.
CONTINUA
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Escrito por Wilton Cardoso