caros curiosos
louváveis linchadores
respeitáveis repórteres
no centro do picadeiro
a menina morta
gozo na redação
a massa convulsiva esporra
no meio das coxas
da televisão
é sangue mesmo
não é merthiolate
tão emocionante
um assassinato de verdade
e agora eu já vou indo
senão perco a novela
no próximo capítulo
quem matou isabella
A poesia nunca foi uma potência.
Hoje, menos ainda.
O poema pode muito pouco
nestes tempos pop,
mas pode ao menos rosnar.
Ele deve rosnar
sob as engrenagens
que o silenciam.
letra incidental:
metrópole (r. russo)