popdélico
29 Maio 2008Não me reconheço
28 Maio 2008Relendo A Tradição travestida (que é uma releitura visual de alguns poemas, entre graves e ingênuos, do Ciclo de Jaiara), tenho uma sensação estranha: não me reconheço naqueles poemas, não seria mais capaz de escrever coisas assim, que ambicionam ser literatura, grave literatura, alta literatura modernista.
E, no entanto, agora, tenho feito poemas pesados, sem humor, cheios de indagações sobre a vida e a morte, recuperando, sob este aspecto, a atmosfera séria e sufocante de A Tradição travestida e do Ciclo de Jaiara. Mas este retorno à seriedade me parece uma volta toda retorcida, em outra frequência, sem saudades da alta literatura e encharcada (para o bem e para o mal – e para além e aquém deles) do agora pop. Não há mais como ser alta literatura, como almejar ser: o sistema literário definitivamente faliu. A literautra que resta é este exercício subterrâneo de pulsar quase mudo em meio à mídia digital/audiovisual. Não há nem como almejar ser publicado em livro, essa coisa chique de ser escolhido por uma boa editora, que transforma o autor desconhecido em uma espécie de referência potencial. Publicar era como se elevar um pouco acima da massa, da mediania, ganhar visibilidade, chamar a atenção da crítica que, por sua vez, chamaria a atenção do público para o autor.
A coisa hoje não funciona mais nestes moldes. A publicação, mesmo por uma boa editora, não mais referencia e a crítica literária não tem mais voz fora das academias. É neste ambiente sem referências que se escreve. Creio que não devemos escrever com saudades do ambiente modernista, como eu tinha quando escrevia os poemas juvenis do Ciclo de Jaiara, querendo atingir o ponto da alta literatura. A releitura digital d’A Tradição travestida é uma nostalgia disso, mas também já é uma crítica, um distanciamento, como o próprio título indica.
Acredito que o escritor de hoje tem que escrever buscando o máximo, a mais alta excelência, originalidade e rigor que puder atingir, mas não com os critérios ou com vistas a pertencer a um sistema literário (ah Candido, meu bom velhinho, os tempos mudaram), que comportava inventors, masters e dilutors/epígonos, que tinha um público amplo (pelo menos potencialmente) e cujas obras carregavam o peso de representar culturalmente um povo ou sondar as profundezas da alma humana. Este sistema acabou e não se deve escrever para uma coisa que faliu, com saudades de ser ou prenunciar um grande, de uma estrutura cuja topografia permitia a grandeza. Muitos acreditaram que a mestria era uma coisa eterna e universal, mas agora descremos cada vez mais nestes “para sempre” (a fé esta fodida). Há poetas excepcionais, inclusive da canção, mas não são grandes e provavelmente não serão. No pop não há mestres ou, pelo menos, a mestria é uma coisa bem diferente do que era nas Grandes Artes.
A literatura hoje é um nicho pop, um nicho cult, especializado. Não adianta chorar (como eu chorava em A Tradição travestida/Ciclo de Jaiara), ou melhor, até vale a pena chorar, lamentar, rosnar, mas em meio a nosso mundo, à cultura pop, eletrônica, eletropop. Só há possibilidade de se fazer popliteratura, com as matérias e formas da tradição, sim, mas principalmente com as matérias e formas pop. Aliás, a tradição literária, quando recuperada, vem inevitavelmente contaminada (travestida) de pop – vem como imagem chapada, como se fosse uma terrível sincronia (de Homero a Joyce, de Ulisses a Ulisses) exótica, distante de nós no espaço-tempo, letras de milênios luz. Aos que ainda ousam fazer literatura, poesia, só resta escre-ver no momento pop, no dentro do momento. Só assim poderão (talvez) escapar de já nascerem mumificados.
delírio: escuro quase estrela (kitsch)
24 Maio 2008a melhor visualização deste poema é em tela cheia
para isto, salve o arquivo no seu computador, abra-o e tecle <Ctrl><L>.
fanzine
8 Maio 2008
Fanzine é uma apresentção de slides.
Sua visualização ideal, portanto, é em TELA CHEIA.
Para isto SALVE o arquivo em seu computador e abra.
LEIAM/VEJAM OUVINDO ROCK!
.
.
Nova versão: em 09/05/08 este post foi atualizado com uma nova versão do fanzine, com as seguintes alterações:
- Capa;
- poema do slide 5;
- formato: passou de pps para pdf.

Escrito por Wilton Cardoso
Escrito por Wilton Cardoso 
Escrito por Wilton Cardoso 