De quando eu fazia poemas metafísicos

O LOUCO

Estou fazendo uma revisão no Ciclo de Jaiara. Corrigindo a ortografia e alguns absurdos estéticos. Mas tenho que me conter, senão corto quase tudo. Relendo os primeiros versos do livro, me pergunto como tive a coragem de publicá-los. Por mais que o Moreira Cardoso seja um outro (um eu-outro, ex-eu), ainda assim era esta mão que batia no teclado.

Mas quem sou eu pra ficar cortando ou emendando o Moreira Cardoso? Ele tem lá o seu direito de existir torto, provinciano, ingênuo, crente ou ateu lamentando sua descrença. E depois, é provável que daqui a dez anos eu mesmo (ou um crítico simpático a poetas obscuros) lerei o que faço hoje achando tudo a mesma porcaria.

Em todo caso, há coisas que ainda gosto, ou pelo menos me divertem, como estes dois trechos acima de O louco. O III tem uma sonoridade mordente, de aliteração cerrada e o IV, bom o IV é mesmo uma loucura onírica (eu lia muito Jorge de Lima na época).