ETERNAL
(Moreira Cardoso in Ciclo de Jaiaira)
Teu dorso louro, desço e teço
As sensações se cruzam
Emergem, jorram resgatadas
Me retorço em imagens que se desfazem lentas
Tantas e dispersas
Brutas
Que abruptamente petrificam bruscas
Todas e diversas, unas
Numa unidade imóvel
Tudo, eterno e infinitamente vasto
Instante
Não dura mais que isto, instável
E imaterial
Nada
Me contorço em chamas
Brumas
Submergem, choram amargos
Poros, soam mares
Sais, salgados ares violentam ventas
Fluidos doces viscos quentes, envolventes
Ventre da manhã
Miragem
Cores e sabores falsos. Gostos, tatos e contatos: mera quimera
Ardências frias, planas
Um jardim etéreo sem espírito
Frio
Teus fios aéreos, sérios
Teus gestos atonais nos ares: danças
Corte de ar em vários
Goles de ares, áreas de cheio e vazio
Cheiros
Preenchidos vácuos de essências e substâncias, várias
Arenas: digladiam-se sentidos
Guerras e guerreiros brutos