Minha (?) lira cética e realista saiu na Revista Diversos Afins.
PS 1: Tá uma caipirice só neste número da Diversos Afins: além deste que vos escreve, Wesley Peres e Daniela dos Santos estão por lá também – como diriam os dois filhos de Francisco e L&L: de gyn para o mundo!
PS 2: A lira cética e realista faz parte de uma seção do popsia que chamei de antiquário das liras. A maioria dos poemas desta seção é daquele tipo que, depois de terminados, examinados e bem pesados, me pareciam ser muito mais de outros poetas ou épocas do que meus ou de agora. Bloom chamaria isto de angústia da influência, Pound diria que são máscaras/personas, Pessoa evocaria (semi)heterônimos, os membros da ordem concretista diriam que se trata de diluição dos mestre etc etc. Mas não tem jeito, os poetas e as liras do passado nos incomodam, nos cercam, nos impregnam. É pelos antigos, afinal, que nos tornamos escritores e muitas vezes nos damos conta de que o que escrevemos poderia ter sido escrito (e melhor, para nosso desconsolo) por nossos mestres do passado. Pra mim, a coisa se parece muito com o que os espíritas chamam de mediunidade. É como se nosso corpo estivesse possuído pelo espírito dos poetas mortos e, de repente, acabamos de escrever um poema à Drummond, à Bandeira, à Mário. Então dissemos, mas que merda, por que não me deixam em paz? É o tipo de coisa que nos deixa encabulados, apreensivos, afinal queremos ser originais, ter voz própria e não ficar falando pela voz dos mestres, cometendo o pecado concretista da diluição. Ao agrupar estes poemas sob o título de antiquário das liras, resolvi assumir a sina da mediunidade/diluição. Quem sabe assim os espíritos não me deixariam em paz dali em diante? Quanto à lira cética e realista, assim que acabei de escrevê-la, disse a mim mesmo, é Machado de Assis, não o da poesia, mas o da prosa – menos mal, porque ser médium de poesia parnasiana seria o fim da picada, se for pra diluir, pelo menos que seja coisa boa. Era o Machado cético e demolidor da prosa que escrevera o poema, cujos versos finais pareciam recuperar o final desolador do Quincas Borba, com aquelas estrelas tão antipoéticas, se lixando para as dores humanas. Daí o título, uma homenagem ao bruxo do Cosme Velho que infernizou meu teclado (os espíritos andam muito high tech ultimamente, nada de penas ou canetas!). E agora o pessoal da Diversos Afins publica a lira cética e realista numa edição-tributo a Machado de Assis! O editor, Fabrício Brandão, me explicou que resolveu fazer isto porque os textos confluíram para a sua obra. Eu acho que foi coisa arquitetada do além, só pode ser. O bruxo baixou na revista!