Os poetas são vaidosos – quem não é?
Mas há poetas que se gastam inteiros
Nos campeonatos nacionais e mundiais
Dos gênios do lirismo. São peões
da grandeza e da eternidade.
Mas há poetas que sabem – amargamente –
De sua vaidade. Estes sabem-se reles
Homens, como toda a gente.
Sabem que os desejos e as frustrações
E as pequenas alegrias da vida
Têm a mesma grandeza e a mesma
Precariedade das almas que passam
Vaidosas – e apreensivas – pelas parcas
Linhas de vida dos corpos.