Os nervos do nirvana II (por Franco Átila)

a poesia é uma masturbação secreta
praticada por monges pervertidos
às portas da buceta das nuvens
que eles não conhecerão jamais

os poetas batem punheta no meio da rua
mendigos invisíveis pedindo esmola
com murmúrios inaudíveis as palavras gozam
em silêncio as sacolas passam e far

falham as peruas e cocotas vão às compras
ao salão de beleza homens de negócios
entram no cio com a última pickup da moda
oh my god as palavras urram na voz muda

do vate que esporra o poema no cu do mundo/
nada perturba o imperturbável gênio ilu
minado em seu nirvana pop em meio às calçadas
mijadas pelo vômito bêbado dos que perambulam

os buracos negros do asfalto
manto esburacado e inconsútil
que cobre a cidade de um sem fim
ao outro o corpo impuro e ávido

pelas carícias sacanas
desses mudos murmú
rios sujos de merda e porra
que brotam das bocas malditas

de seus ardentes amantes/
monges/mendigos punheteiros

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